Quando um ídolo morre, mas a música permanece
Da morte de Kurt Cobain às despedidas mais recentes (Jennifer Finch e Glen Hansard), um texto sobre o vazio que fica quando um artista parte — e sobre como as músicas continuam mantendo essas pessoas por perto.
Por Rachel Sardinha · 30 de julho de 2026

Eu tinha 13 anos quando o Kurt Cobain morreu. Lembro perfeitamente do dia — ou melhor, da noite. Estava com umas cinco amigas na casa de uma delas quando a mãe dessa amiga entrou correndo no quarto pra avisar:
— O vocalista do Nirvana morreu! Está passando na TV.
Fomos todas correndo pra sala e, realmente, lá estava a reportagem do Jornal Nacional sobre a morte do Kurt.
Foi algo que me chocou muito. Nunca tinha perdido um ídolo. Cheguei em casa chorando, olhei meus pôsteres, meus discos; fui ouvir Nirvana. Ali, parece que quebrou algo dentro de mim (e pode parecer brega falar isso, mas é isso que eu lembro de sentir naquele momento).
A primeira morte veio seguida de muitas outras
Já perdi outros ídolos nesses mais de 30 anos ligada em música.
Em 1995 foi o Shannon Hoon, do Blind Melon. Descobri assistindo ao Fantástico. O programa deu uma pequena nota sobre a morte dele.
Depois dele, teve Joey Ramone em 2001. Layne Staley em 2002. Scott Weiland em 2015. David Bowie em 2016. Chris Cornell em 2017. Dolores O’Riordan em 2018. Mark Lanegan em 2022. Rita Lee em 2023… não dá pra listar todo mundo.
Recentemente, dia 18 de julho, foi a Jennifer Finch, baixista do L7. E eu chorei. Parecia que tinha perdido uma amiga. Eu cresci com ela “falando” comigo por meio das canções. Cresci encontrando a Jennifer nas tardes em que ligava na MTV, revia um show gravado, escutava o Bricks Are Heavy ou simplesmente “conversava” com os pôsteres da banda colados na parede do meu quarto de adolescente.
Agora foi o Glen Hansard. Uma morte trágica, um acidente de moto, e lá se vai mais uma voz, mais um poeta da música que tanto somou para a popularização do folk independente.
Quando a música sobrevive ao artista
É sempre triste quando alguém que admiramos morre, mas quando é um ídolo que fez parte da nossa vida por tanto tempo, dói ainda mais.
Sinto como se conhecesse a pessoa que se foi. Porque de certa forma a gente conhecia, sabe?Eles é que não me conheceram. Mas eu conheci pelo menos uma faceta, uma versão daquela pessoa que subiu ao palco e escreveu aquelas músicas que eu tanto ouvi e continuo escutando. Falava (e continuo) falando deles como se fossem velhos amigos. E é assim que quero lembrá-los daqui pra frente. Pelo menos temos as músicas que sobrevivem ao artista. E, de muitos deles, temos também a lembrança de tê-los visto ao vivo num palco, dando vida a essas canções que se tornaram eternas. E, dessa forma, os eternizaram para a gente também.
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