Sete shows em seis semanas: minha viagem regada a música ao vivo nos EUA

Férias combinam com shows, que combinam com rock, que combina comigo. Em 2022 fiz uma viagem aos EUA que teve imprevistos e cancelamentos, mas teve também muita música e sete shows.

SHOWSFUI NAQUELE SHOWDESTAQUES

7/9/20265 min read

the war on drugs 2022 baltimore
the war on drugs 2022 baltimore

Quando comprei as passagens para minha última viagem aos EUA, em 2022, a primeira coisa que fiz após confirmar as datas de ida e volta foi entrar nos sites e descobrir quais shows iriam ocorrer nas cidades em que eu estaria. Com diversas abas do Chrome abertas em portais de notícias e sites de vendas de ingressos, fui traçando o roteiro e fazendo contas (ingresso em dólar é mais caro).

O plano foi traçado: seriam sete shows em seis semanas — Bikini Kill, Jerry Cantrell e Pearl Jam x 5. Meu itinerário, baseado em shows e nos passeios para visitar amigos e família, incluía algumas cidades na Califórnia, como Los Angeles, Lakeport, Fresno e Sacramento; além de Las Vegas, Nova York e Ossining (que fica no estado de NY, no Condado de Westchester — onde Monica e Chandler compraram uma casa na última temporada de Friends).

Dois anos após o isolamento mundial devido à pandemia de Covid-19, aglomerações ainda inspiravam cuidado para alguns e receio para outros. Eu mesma voei de máscara o tempo todo (mesmo depois que caiu a obrigatoriedade por lá, em maio daquele ano) e andei de máscara em muitos dos passeios que fiz.

Pois foi o vírus da Covid o responsável pela mudança em alguns dos planos de shows para a viagem. Teve show cancelado, show com baterista substituto e shows que surgiram em cima da hora, no maior estilo "Vamos?" Vamos!". E, mesmo com imprevistos, foram sete shows em seis semanas, além de muitos passeios inspirados, claro, no mundo e na história da música.

Já escrevi detalhadamente sobre algumas das apresentações que vi nessa viagem:

Entretanto, como não temos o controle de (quase) nada, muita coisa também saiu do planejado.

Uns shows cancelados e outros adicionados à lista

A viagem ainda teria mais dois shows do Pearl Jam, em Sacramento e em Las Vegas, mas foram cancelados porque Jeff, o baixista, também pegou Covid. Imagine você que em Sacramento eu cheguei às 7h30 da manhã na fila do GA (falei sobre ela no texto sobre o show de Fresno) e, por sorte, a previsão do tempo era passar dos 40°C naquele dia.

Por isso, os organizadores distribuíram pulseiras numeradas pela ordem de chegada de cada pessoa na fila e orientaram a ir embora para fugir do sol e do calor. Devíamos voltar ao local somente às 16h30, uma hora antes da abertura dos portões. Eu estava numa loja de discos procurando pelo Blue da Joni Mitchell em vinil (que até hoje não encontrei) quando uma amiga ligou para avisar sobre o cancelamento dessa e da próxima apresentação. A decepção foi enorme!

Sem motivo para seguir para Las Vegas, eu e a Raquel (uma grande amiga que conheci — vejam só! — por causa do Pearl Jam) fomos conhecer o Death Valley e voltamos pra LA um dia antes do planejado. Lá, outra amiga falou que iria ao show da artista LP no Greek Theater. Eu não a conhecia, então fui pesquisar.

Com um som que mistura pop melódico com indie-folk e algo de blues, letras profundas e bem pessoais, LP faz músicas bem gostosas de ouvir e fez um show bem animado. Lost on You e Recovery foram canções que me chamaram a atenção pela sinceridade dos versos. Depois, descobri que essas são algumas das músicas mais conhecidas da cantora.

Pois bem, deixamos a Califórnia e fomos para o estado de Nova York, onde fiquei mais três semanas na casa da Raquel, em Ossining. E como NY é perto de muitas cidades nas quais sempre há coisas acontecendo, não demorou muito para achar mais um show para ir.

Road trip, The War on Drugs e Baltimore

Num domingo, seguimos para Baltimore. A cidade, localizada em Maryland, ficava a cerca de 3h30 de carro de Ossining. O objetivo da road trip: assistir ao The War on Drugs. O grupo da Filadélfia havia lançado em 2021 o álbum I Don't Live Here Anymore e a música homônima não saía do meu replay no Spotify.

Assim como a LP, The War on Drugs também faz som indie-folk. E o folk deles fica ainda mais evidente porque me lembra muito Bob Dylan. O show foi num píer, um lugar pequeno e meio aberto. Começou no fim da tarde e, minutos antes de iniciar, ainda estava tão vazio que achei que não iria ninguém. Mas o pessoal lá fora é pontual; chega na hora do show e vai embora em seguida.

Foi uma apresentação intimista e pude ver o show da grade, o que é sempre uma experiência mais "close-up and personal". Dá pra ver os detalhes do palco, perceber cada músico dentro da sua própria viagem instrumental, pausar o olhar calmamente nos teclados, depois nas guitarras, depois prestar atenção nas batidas da bateria ou na forma em que o vocalista canta uma ou outra parte da música.

Mesmo tendo ficado pouco tempo em Baltimore, gostei da cidade. Senti que tinha um clima meio florianopolitano. A verdade é que eu já estava ficando com saudades de casa.

O show do The War on Drugs (cuja foto ilustra esse post) foi o último dos sete shows em seis semanas nos EUA. Esse e o da LP, que não estavam no planejamento inicial, foram diferentes do previsto, porém, somaram muito pras minhas experiências na plateia de bandas e artistas independentes. Voltei pro Brasil com mais shows na bagagem, novos conhecimentos em música e arte, além de boas histórias pra contar.

O after desse show foi no Rainbow Bar & Grill, um restaurante que fica na Sunset Strip e foi cenário de partes do clipe de November Rain, do Guns N' Roses. Tomei uma cerveja, dividi uma pizza com as amigas e tirei fotos com a estátua do Lemmy Kilmister, vocalista do Motörhead, que frequentava tanto o Rainbow que teve uma parte do bar nomeada em sua homenagem. Às duas da manhã o bar fechou e todos os clientes foram "gentilmente" mandados embora.

Não importa o dia da semana, Los Angeles sempre tem algo ligado ao rock para fazer por lá. Aliás, isso rende pauta pra outro post aqui no blog...

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