O show do Jerry Cantrell em Los Angeles

Em 2022 assisti ao show do guitarrista e fundador do Alice in Chains num teatro em LA. Entre músicas da banda de Seattle e as canções da carreira solo, Jerry Cantrell se mostrou técnico, profissional e nada simpático.

FUI NAQUELE SHOWSHOWS

7/8/20263 min read

São poucos os guitarristas que conseguem sustentar uma carreira solo por muito tempo. Normalmente são os vocalistas que costumam fazer sucesso ao se lançarem sozinhos no showbiz. Mas com Jerry Cantrell a história é diferente.

Fundador e segunda voz do Alice in Chains, o guitarrista sempre dividiu o papel de líder com Layne Staley na banda de Seattle. Mesmo não sendo o frontman, era Jerry quem muitas vezes dava entrevistas e falava em nome do grupo. Quando Layne morreu, em 2002, Cantrell já tinha lançado um primeiro álbum solo e estava prestes a lançar o segundo (que chegou ao mercado dois meses depois da morte do amigo e parceiro de banda).

Sem nunca abandonar o Alice in Chains, Jerry Cantrell tem uma carreira solo de relativo sucesso e volta e meia roda o mundo com shows ora com a banda de Seattle, ora com sua própria banda de apoio nas turnês em que ele é o artista principal. Foi um desses shows que vi em Los Angeles em maio de 2022.

A apresentação no Belasco Theater fazia parte da turnê Brighten, do disco homônimo lançado em 2021, depois de um hiato de quase 20 anos desde o último disco solo. Sem sair do estilo musical do artista, o álbum segue a cartilha do som grunge independente e alternativo — bem do jeito que eu gosto!

Show em teatro e nos EUA significa pouca fila, organização e a casa abrindo as portas apenas uma hora antes do início da apresentação. No dia do show eu havia feito check-in em um hotel em Inglewood, pertinho do Aeroporto de Los Angeles e a cerca de um quilômetro do Kia Forum, onde, nos dias seguintes, eu iria assistir ao Pearl Jam. Peguei um ônibus rumo a Downtown LA e desci bem próximo ao teatro.

Poucas palavras e muitos solos de guitarra

Entrei na venue e me posicionei no canto direito do palco. Poucas palavras trocadas com as pessoas em volta foram o suficiente para segurar meu lugar ali: aproveitei para pegar uma cerveja, ir ao banheiro e pronto; não precisaria mais sair dali até o final do show.

A apresentação começou às 21h. Bem ao centro do palco, o guitarrista tocou e cantou por cerca de duas horas sem interagir com o público. Achei interessante ver que todos os integrantes da banda tinham iPads posicionados bem à frente de cada um — provavelmente com as letras ou algum material de apoio. Essa modernidade!

O setlist foi composto por uma variedade de principais sucessos do Alice in Chains e de singles lançados na carreira solo de Jerry Cantrell. Do AiC, teve Them Bones, We Die Young, Rain When I Die, No Excuses, Got Me Wrong e Sea of Sorrow. Da carreira solo, Atone, Brighten e Cut You In, entre outras. O vocalista de apoio, Greg Puciato, cantava as músicas do Alice in Chains, mas sempre ficava mais pra trás no palco, deixando o guitarrista brilhar no front.

Would? fechou a primeira parte do show e, após um break curto, a banda voltou para o bis com cinco músicas, incluindo Rooster e a clássica Man in the Box. Terminada a apresentação, segui para a lateral do teatro para esperar um Uber e vi quando Jerry Cantrell passou pelos poucos fãs que o aguardavam do lado de fora sem fazer um único aceno. Ele atravessou a rua, entrou em um Toyota Prius e saiu dirigindo sozinho.

Se ele é sempre assim ou se estava sem paciência naquele dia, não tenho como saber. Mas essa antipatia dele fez perder um pouco o brilho do artista que eu acabara de ver no palco e que, durante anos, ouvi nas rádios e assisti na MTV.

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