Aquele show do Guns em que o piano voou sobre a plateia

Garotas dançando com mínimas roupas, cartas, roleta, naipes e um piano voador. Eu fui num dos doze shows que o Guns N’ Roses fez em Las Vegas em 2012 e conto aqui minha percepção do espetáculo criado especialmente para a cidade do pecado.

SHOWSGUNS N ROSESFUI NAQUELE SHOW

3/17/20266 min read

guns n roses las vegas axl piano
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Após um longo período sabático que resultou na troca de praticamente todos os integrantes da banda, o Guns N’ Roses voltou aos palcos no final de 2009. Liderado por Axl Rose, o grupo anunciou, em 2012, uma residência em Las Vegas no mesmo ano. Para quem não está familiarizado com o tema, residência é quando um artista faz uma “temporada” de apresentações num mesmo lugar. Pois bem. Naquele ano, o Guns, ainda formado por Axl Rose e sua trupe, fez 12 shows naquela cidade.

Como boa fã que sou, me organizei pra ir a uma dessas apresentações. Qual não foi a minha sorte ao descobrir, na hora em que cheguei ao show, que aquela apresentação de 21 de novembro seria filmada? Sim, justo aquele show foi gravado e lançado posteriormente em DVD/Blu-ray e em CD.

Apetite pelo espetáculo

Na primeira metade dos anos 2010, a trupe do Axl era composta pelos guitarristas DJ Ashba, Ron “Bumblefoot” Thal e Richard Fortus; pelo baterista Frank Ferrer; pelo baixista Tommy Stinson e pelos tecladistas Dizzy Reed (na banda desde 1991) e Chris Pitman. Desses, apenas Dizzy e Fortus continuam no grupo, que passou por uma renovação em 2016 quando dois dos fundadores, Slash e Duff McKagan, retornaram aos seus postos originais de guitarra e baixo (mas imagino que você já saiba disso).

A turnê de Vegas, chamada Appetite for Democracy, ganhou os palcos do The Joint — na época, uma casa de shows anexa ao Hard Rock Hotel & Casino de Las Vegas (em 2021 o hotel mudou de marca e agora se chama Virgin Hotels, do grupo do megaempresário Richard Branson).

Para a cidade do pecado, foi criado um espetáculo digno de Vegas:

  • Garotas dançando no palco, no maior estilo “show de strip-tease”.

  • O piano do Axl, de cauda, todo estampado (por dentro e por fora) com elementos como cartas de baralho, naipes, roletas e fichas de jogos de azar.

  • O palco tinha postes como pole para as dançarinas, além de dois avanços nas laterais e algumas correntes que desciam do teto.

  • O piso do palco também foi adesivado com elementos alusivos a cassinos.

  • E ainda tinha mais um piano, todo espelhado, especialmente para o Dizzy tocar Street of Dreams, em destaque, no meio do palco.

Como todos os shows do Guns nos últimos 15 anos, esse também teve quase três horas de duração. Pirotecnia no palco, vídeos no telão seguindo a narrativa das músicas e muitos (muitos!) solos de guitarra (três guitarristas = três solos).

A abertura foi com Chinese Democracy, música que dá o nome ao último álbum, lançado em 2008. Axl estava de poucas palavras. Conversava pouco com o público e deixava cada músico brilhar na sua vez de destaque.

Com um espetáculo criado em cima dos discos Appetite for Destruction e Chinese Democracy, o setlist teve sete músicas do primeiro álbum (lançado em 1987) e cinco músicas do último, além de sete hits dos Use Your Illusion I e II, e duas do GN’R Lies. Do álbum de covers (The Spaghetti Incident?), nenhuma, apesar do set ter trazido ao menos quatro músicas de outros artistas.

O piano voador

Lá pela metade do show, depois do DJ Ashba dar seu show particular com Sweet Child O’ Mine, um piano é posicionado na parte frontal do palco. Axl senta-se na banqueta e começa a tocar e cantar Another Brick in the Wall. A plateia canta junto. Os músicos acompanham.

Isso dura mais ou menos um minuto até ele dar a primeira nota de November Rain. O que aconteceu em seguida foi algo totalmente inesperado: o piano (com o Axl ali, tocando) começa a subir e logo percebemos que o instrumento está sobre uma plataforma redonda presa a cabos de aço no teto da casa de shows. Lentamente, o piano vai sendo posicionado no alto do público, bem no meio da plateia. Coloquei no YouTube esse trecho com a intro de November Rain.

Axl toca e canta a música suspenso a metros de altura do chão. Uma mulher de maiô vermelho desce do teto, enrolada em panos brancos, e inicia uma linda coreografia, subindo e descendo por aqueles pedaços de tecido. É um show do Guns ou um espetáculo do Cirque du Soleil?

A lojinha do Merch e as roupas do Axl

Na saída do evento, como toda banda que sabe ganhar dinheiro, lá estava o estande do merchandise com muitas coisas desnecessárias à venda. Eu sempre achei a lojinha do merch uma excelente jogada. As pessoas saem anestesiadas após assistir a uma apresentação incrível, é claro que vão gastar dinheiro ali. Ainda mais após um grande espetáculo da maior banda do mundo.

O estande tinha camisetas e bandanas, sim, mas também oferecia alguns produtos criados especialmente para a residência, como um programa (aquele livreto sobre o espetáculo que tem nos teatros e em apresentações musicais clássicas), baralho, chaveiro com um dado de jogo. Achei uma ótima sacada (e, sim, comprei essas coisas)!

Outra coisa muito legal que teve no Hard Rock Hotel & Casino foi uma exposição temporária com algumas roupas mais famosas do Axl. Tudo em vitrines com fotos que ilustravam o vocalista usando a peça de roupa ou uma breve explicação sobre a vestimenta. Também no hall do hotel foi exposto um carro Chevy Bel Air Coupe 1955, do próprio Axl, além de uma moto do ex-baterista Matt Sorum e um jogo de roupas utilizadas por toda a banda em alguma apresentação.

Esse show do Guns em Las Vegas minha primeira experiência assistindo a um show fora do Brasil. Notei que o público é mais educado, não empurra, não pega o seu lugar se você for ao banheiro (nem se for na grade!), e tinha até garçonetes vendendo bebidas lá no meio do pessoal, anotando o pedido e trazendo o drink depois — mesmo durante o show.

Posso dizer que, se você tiver uma chance, vá ver um show da sua banda favorita em algum outro país (quem sabe, no país de origem da banda). Os shows são MUITO diferentes (se posso fazer uma analogia: no Brasil o público é mais raiz, lá nos EUA, mais Nutella). Falo isso tanto por essa experiência quanto pelos shows do Pearl Jam que também vi nos EUA — e cujos relatos estão aqui no blog (deixo os links no final desse post).

Aliás, recentemente o Metallica anunciou uma residência entre outubro deste ano e março do ano que vem, também em Las Vegas. E aí? Será?

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A música toda é cantada pelo vocalista lá do alto, sobrevoando a plateia com o “piano voador”. Quando entra o ato final, cachoeiras de fogos estouram no palco, criando o clima de êxtase que o final da música pede.

Pausa pro break? Que nada! Ainda teríamos mais nove músicas até o tradicional “good fucking night”. De todas as surpresas que presenciei nessa apresentação, com certeza, a mais surpreendente foi ver o piano subindo e pairando sobre os presentes.

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Setlist do show do Guns N' Roses em Las Vegas, 21 de novembro de 2012

Chinese Democracy
Welcome to the Jungle
It's So Easy
Mr. Brownstone
Estranged
Rocket Queen
The Blacklight Jesus of Transylvania (música e solo do Richard Fortus)
Live and Let Die (cover do Wings / Paul McCartney)
This I Love
Better
Motivation (música do Tommy Stinson com ele nos vocais)
No Quarter (cover do Led Zeppelin) (solo de piano do Dizzy Reed)
Catcher in the Rye
Street of Dreams
You Could Be Mine
The Ballad of Death (música e solo do DJ Ashba)
Sweet Child o' Mine
Another Brick in the Wall, Part 2 (cover do Pink Floyd)
November Rain
Objectify (música e solo do Ron “Bumblefoot” Thal com ele nos vocais)
Don't Cry
Civil War
The Seeker (cover do The Who)
Knockin' on Heaven's Door (cover do Bob Dylan)
Nightrain

Don't Let It Bring You Down (cover do Neil Young)
Used to Love Her
Patience
Paradise City