Um Grande Garoto: um livro sobre amadurecimento, luto, amizade e o papel da música na nossa vida

Escrito por Nick Hornby em 2002, Um Grande Garoto é uma leitura obrigatória para todos os fãs de rock alternativo dos anos 90. Pena que só fui descobrir isso quase 20 anos depois de lançado

LI AQUELE LIVRO

3/3/20263 min read

um grande garoto livro
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Mais um livro que se passa nos anos 90. Mais um livro que conseguiu transformar minha leitura em uma viagem no tempo. Um Grande Garoto (About a Boy, Nick Hornby) me levou de volta aos anos 90, me transportando pra minha própria adolescência.

Nick Hornby já era um autor conhecido no universo musical quando lançou Um Grande Garoto. O livro chegou três anos após Alta Fidelidade e, assim como o primeiro romance, também se passa na Inglaterra e tem a música como cenário fundamental para o desenrolar da história.

Grandes personagens (contêm spoilers!)

A obra nos apresenta os protagonistas Marcus e Will e a construção da amizade entre os dois. Marcus é um garoto com seus doze anos que não tem amigos e mora com a mãe (uma mulher depressiva e triste). Will, um homem solteiro de 36 anos que vive da herança do pai.

Porém, o livro não se prende apenas nessa relação (quase) paternal. Aos poucos vamos conhecendo as mulheres da história, personagens secundários que me cativaram de uma forma que eu não esperava. Foi impossível não me identificar, de alguma forma, com cada uma delas.

A mãe de Marcus passa por uma depressão que não tem cura. Dias bons versus dias ruins, crises de choro no meio do café da manhã, fases melhores e tentativa e erro. A amiga dela, Rachel, é cheia de opiniões e atitudes. Já Ellie é uma adolescente grunge que arruma briga na escola e é a maior fã de Kurt Cobain da literatura moderna.

O livro virou filme em 2002 com Hugh Grant no papel de Will e Nicholas Hoult como Marcus. Eu já tinha visto o filme algumas vezes, mas só fui ler o livro 20 anos depois, quando descobri que o Nirvana tinha um papel importante na história.

A adaptação para o cinema cortou totalmente a banda do roteiro. Um erro, na minha opinião. O grupo (juntamente com o disco Nevermind) entra na obra quase como mais um personagem, que interage com os outros e tem grande importância para a história em si.

O Nirvana dá o tom pro gosto musical do Will, faz ele se aproximar de Marcus e leva Marcus a se aproximar de Ellie. Ao mesmo tempo, temos a história da mãe de Marcus se misturando com a história de Kurt Cobain, trazendo pra realidade dos personagens uma dor que pode ser quase sentida pelo leitor.

SPOILER ALERT!

Foi quando Ellie “apareceu” na escola usando um moletom com o rosto de Kurt que percebi que a história se passava em 1993. Kurt Cobain ainda estava vivo! Caminhamos com os personagens pela passagem para o ano de 1994 e aí percebo: “O livro vai terminar com a morte do Kurt”.

De fato, o auge da história é uma tentativa de suicídio em paralelo com o suicídio do vocalista do Nirvana. E a leitura me leva para o mesmo lugar da personagem Ellie. Era como se o autor estivesse narrando os meus dias naquele abril de 1994 (meus e de milhares de jovens ao redor do mundo que viveram aquele fatídico 8 de abril).

Eu era como a Ellie e, se você também era jovem e fã do Nirvana naquela década, provavelmente vai ter (ou já teve) a mesma sensação ao ler Um Grande Garoto. Me peguei pensando em uma spin-off da obra: como estaria Ellie hoje? E Marcus? Ainda seriam amigos? Ainda veriam o Nirvana como parte importante de suas vidas?

Para quem ainda não leu o livro, minha sugestão é lê-lo com o Nevermind ao lado. Escutar o disco junto a algumas passagens — como quando Marcus o escuta pela primeira vez ou quando conhecemos Ellie — pode influenciar a experiência de imersão na história. Se essa influência será positiva ou negativa, bom, cabe à interpretação de cada leitor.

Positiva. Será positiva.

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