Nirvana Nunca Mais: o livro que fala de música e crime — e que me conquistou pela "trilha sonora"

Romance policial que se passa em Seattle, Nirvana Nunca Mais, de Mark Lindquist, transita entre a história do grunge e uma investigação liderada por um músico frustrado e em crise

LI AQUELE LIVRO

3/2/20262 min read

nirvana nunca mais livro
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O livro Nirvana Nunca Mais (Never mind Nirvana, de Mark Lindquist) é um romance policial leve. Poderia não ter nada de mais, não fosse uma leitura nostálgica para quem viveu os anos 90 — e altamente visual e saudosa para quem já esteve em Seattle.

A história se passa no final dos anos 90, com o personagem principal, Pete Tyler, passando por uma crise por ter “quase 40 anos” (o personagem tinha 36, mas a proximidade com os 40 o assustava constantemente). Promotor frustrado por ter trocado a música pelo emprego formal, Pete precisa investigar um crime e o desenrolar da história se dá entre as pistas que ele segue e sua complicada vida pessoal.

Pete busca algum significado para a própria vida em meio à investigação do crime: um estupro supostamente cometido por um membro de uma banda conhecida da região. Aqui, impossível não fazer uma correlação com a triste história de Mia Zapata. Cantora e vocalista da banda The Gits, da cena independente de Seattle, ela foi estuprada e assassinada em 1993, aos 27 anos, após uma apresentação.

A narração de Nirvana Nunca Mais fez com que eu me sentisse caminhando pelas ruas e pelos bares do berço do grunge. Mas mesmo quem nunca esteve na cidade consegue se transportar para lá. Conforme vamos conhecendo Pete, conhecemos também sua inquietação constante, diferentes mulheres e as complicadas relações dele com elas — assim como conhecemos um pouco da história da música daquela região.

Quando terminei de ler, fiquei com a sensação de que queria ter escrito esse livro. Crise dos 40, inquietação constante, grunge na trilha sonora da vida, enquetes do tipo “Pearl Jam ou Nirvana”, sexo ao som de Appetite for Destruction.

Lendo Nirvana Nunca Mais, eu viajei não só com Pete pela cidade, mas pelas músicas que dão nomes aos capítulos, pela minha adolescência nos anos 90 e pela minha vida adulta de agora.

Seria só mais um romance policial, não fosse a música o pano de fundo da história.

Faltou só uma playlist para acompanhar as músicas citadas na obra. E se posso sugerir aqui, vale separar não só o Nevermind do Nirvana para ler esse livro, mas também Ten, Vs e Vitalogy, do Pearl Jam, Superunknown, do Soundgarden, Automatic for the People, do REM, Appetite for Destruction e Use Your Illusion I, do Guns N’ Roses, Facelift e Dirt, do Alice in Chains, e o que mais trouxer à tona, pra você, a nostalgia dos anos 90.

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