O show do Guns no Monsters of Rock 2026 — e mais alguns pitacos sobre o festival
Fui ao festival Monsters of Rock 2026 e detalho aqui quase tudo sobre o evento e muito sobre o headliner da noite, o Guns N’ Roses, que fez mais uma apresentação digna da maior banda do mundo.
GUNS N ROSESFESTIVAISFUI NAQUELE SHOWSHOWS
4/7/20266 min read
Eu sou a pessoa que gosta de ver a banda favorita em show solo. “Nada de festival; é muito cansativo pra aguentar até o último show da noite”. Mas aí, o Guns anuncia mais uma rodada de apresentações pelo Brasil e a logística me joga pro show de São Paulo — o único show em festival dos 9 que eles incluíram na turnê brasileira deste ano.
Comprei o ingresso pro Monsters of Rock conhecendo UMA das sete atrações — o Guns N’ Roses. Antes do evento, as outras estavam desse jeito no meu nível de conhecimento:
Lynyrd Skynyrd - três músicas
Extreme - fui fã aos 12 anos quando More Than Words tocava várias vezes ao dia nas rádios e embalava os adolescentes nas festinhas americanas.
Yngwie Malmsteen - já ouvi falar.
Halestorm, Dirty Honey e Jayder - nunca ouvi falar.
E mesmo assim, foi mais um daqueles dias que valeu a pena ter vivido.
Eclético sem sair do rock
No começo da semana do Monsters, a previsão do tempo para o sábado de Aleluia era de chuva o dia inteiro. Só que o tempo colaborou e a maior parte do dia foi de sol e um calor acima dos 30 graus Celsius. Fazia 33 graus quando chegamos ao estádio, perto das 14h.
Eu havia assistido aos shows de Jayder e Dirty Honey na Audio na quinta-feira à noite, então não vi, no festival, as apresentações das duas primeiras bandas do line-up. Quando entrei no Allianz Parque, Yngwie Malmsteen (terceira atração do dia) fazia acrobacias com seus dedos nas cordas da guitarra em uma performance quase teatral. O guitarrista foi o artista mais metal do evento, que já teve fama de ser um festival de heavy metal e nessa edição se mostrou bem mais “eclético” dentro do rock ‘n’ roll.
Em seguida subiu ao palco o Halestorm. Uma banda americana fundada no final dos anos 90, por uma mulher, e da qual eu nunca tinha nem ouvido falar. E não é que não sejam conhecidos: em uma pesquisa rápida descobri que já tinham vindo ao Brasil, ganharam alguns prêmios (inclusive o Grammy de melhor performance de metal / hard rock em 2013) e tocaram na despedida do Ozzy Osbourne, no grandioso Back to the Beginning, no ano passado.
Voltar sempre aos mesmos artistas e às mesmas músicas, dos mesmos discos, faz com que a gente não se abra pra novas bandas e acabe deixando passar muita coisa. Fiquei feliz em conhecer o rock do Halestorm principalmente por descobrir a vocalista e fundadora Lzzy Hale. Mesmo tendo uma pegada mais nu metal / emo core (fora do que eu normalmente gosto de escutar), a banda foi responsável por trazer a única mulher para um festival com sete atrações — além dela, subiram naquele palco mais 30 homens.
Extreme foi quinta atração do dia. Um show morno que começou com o céu claro, teve uma tempestade absurda no meio do caminho; e encerrou no crepúsculo com a música mais aguardada do setlist: sim, a balada More Than Words; cantada a plenos pulmões pela plateia e dançada por todos os casais que ali estavam.
O grupo lançou um disco recentemente e deve ser por isso que entrou no line-up do festival (aliás, gostaria muito de saber como é feita a curadoria de eventos como o Monsters of Rock!). Não vou dizer que não tinham fãs cantando as músicas, mas eram bem menos do que os do Halestorm, por exemplo.
Lynyrd Skynyrd, a sexta e penúltima banda, entrou no palco, já de noite, com seus integrantes de cabelos brancos. O grupo é de “tirar o chapéu” (pelo menos, metaforicamente, já que os fãs seguiam o estilo redneck da banda, com seus chapéus de cowboy). Na estrada há tanto tempo (a primeira formação é de 1964), o Lynyrd Skynyrd já perdeu mais de uma mão de integrantes nessas tantas décadas — inclusive quase metade da banda num acidente aéreo em 1977 — e conseguiu se manter na ativa com músicas que fazem sucesso até hoje. Você com certeza já ouviu Sweet Home Alabama, Freebird ou Simple Man.
Eu, particularmente, conheci o grupo primeiro nas camisetas da banda que o Axl Rose usava nos anos 80. Só depois fui conectar as músicas ao nome. E ele, que era fã (e ainda deve ser), foi a principal atração da noite com a maior banda do mundo.
O aguardado show do Guns no Monsters of Rock
Me pediram para opinar sobre a apresentação e a voz do Axl. “Você está pedindo pra pessoa errada”, respondi. Risos. Sabem que daqui não vai sair crítica negativa ao ruivão. Então, continue a leitura ciente de que este texto é totalmente enviesado e opinativo.
O Guns N’ Roses foi a primeira banda anunciada no line-up do Monsters of Rock 2026. O anúncio foi feito durante a última passagem do grupo pelo Brasil, em outubro do ano passado. Nem tinham ido embora do país, já estavam agendando o retorno. E esse retorno veio com mais 9 datas em cidades de quatro das cinco regiões do Brasil.
No horário marcado, 20h30, as luzes do estádio se apagaram e o telão começou a mostrar um audiovisual com uma música quase de suspense, que ia se intensificando a cada segundo. Pouco mais de um minuto depois, o primeiro riff da guitarra soava nos nossos ouvidos. Era Welcome to the Jungle abrindo a apresentação.
Confesso: não contive as lágrimas. Não importa quantas vezes eu veja o Guns no palco (essa foi a 13ª), sempre vou me emocionar e me reconhecer ali; relembrar quem eu sou, por que, como e quanto essa banda teve parte na minha trajetória — e continua tendo.
Diferentemente do show de Florianópolis no ano passado, o público do Monsters não decepcionou. Muitas vezes mal se conseguia ouvir a música vinda do palco, só o canto coletivo daqueles dezenas de milhares de pessoas em êxtase. É engraçado como ainda me surpreendo ao ver que existem tantos fãs do Guns, que sabem as letras e as histórias da banda; e que também relacionam suas próprias histórias de vida ao grupo formado em 1985 e que, até hoje, lota estádios pelo mundo.
Depois de Jungle veio Slither, canção do Velvet Revolver que está permanentemente nos setlists do Guns desde que Slash e Duff voltaram para a banda em 2016. Seguiu-se uma sequência de clássicos (e quais não são?): It’s So Easy, Live and Let Die, Mr. Brownstone.
A animação do público foi reconhecida pelos músicos e achei o Axl bem “conversador” e brincalhão. Não sei se foi a idade ou os parceiros certos, mas ele mudou bastante a presença de palco nos últimos dez anos. Parece mais à vontade, e isso reflete na performance dele.
Entre as músicas mais conhecidas entrava uma ou outra das novas — Perhaps, Nothin’, Atlas — e um cover de Junior’s Eyes, do Black Sabbath, seguido de uma anedota contada pelo vocalista ao final da canção:
— Quando fomos convidados para fazer o evento com o Ozzy Osbourne (Back to the Beginning em 2025), eu disse à Sharon (Osbourne) que queria tocar essa música e ela falou ‘mas de que lugar você tirou essa?’. Quando estávamos gravando o Appetite (primeiro disco), tocávamos bastante essa música.
Axl e seus "causos". Após o Duff cantar New Rose, o líder da banda explicou que aquela era considerada a primeira música punk da história.
Surpresas sem bis, mas uma vida muito boa
A noite ainda reservou surpresas. Primeiro, no meio de Estranged, começaram a "pular" pela plateia balões de golfinhos, uma alusão ao clipe da música. Além disso, o setlist trouxe duas músicas do Use Your Illusion I que eu ainda não havia ouvido ao vivo: Dead Horse e Bad Apples.
Dead Horse já vinha sendo tocada em alguns shows, mas Bad Apples entrou na lista pela primeira vez em 35 anos. Isso não é pouca coisa!
A balada da noite foi November Rain, com aquele lindo piano Yamaha posicionado no meio do palco, com o Axl sentado no banco que é uma meia-motocicleta usando blazer de paetês e óculos escuros (me lembrou o Elton John). Depois veio Nightrain e, em seguida, entraram os primeiros acordes de Paradise City. E eu fiquei sem entender. “Como assim não vai ter bis”? Não teve mesmo. Tive que me contentar com um show “curto”.
O festival precisava terminar às 23h devido às regras e leis de silêncio da região do estádio. O Guns, que costuma fazer shows com três horas de duração e sempre volta para o bis (encore), dessa vez tocou direto e fez uma apresentação meia hora mais curta.
Terminada a última música, eles agradeceram e saíram do palco, encerrando assim mais uma apresentação do Guns na selva de pedra. Mais uma noite eternizada na minha memória (e no meu coração) e na de todo mundo que estava naquele show. Saí do estádio com lágrimas de felicidade e não aguentei: “A vida é muito boa!”.
Alguns registros do show do Guns
Setlist Guns N' Roses no Monsters of Rock, 4 de abril de 2026
Welcome To The Jungle
Slither
It's So Easy
Live And Let Die (cover de Paul McCartney and the Wings)
Mr. Brownstone
Bad Obsession
Rocket Queen
Perhaps
Dead Horse
Double Talkin' Jive
Nothin'
You Could Be Mine
Civil War
Junior's Eyes (cover de Black Sabbath)
Knockin' on Heaven's Door (cover de Bob Dylan)
New Rose (cover de The Damned, com Duff nos vocais)
Atlas
Sweet Child O' Mine
Estranged
Bad Apples
November Rain
Nightrain
Paradise City
