O hype dos grandes festivais e por que as pessoas vão mais pela experiência do que pela música
Há alguns bons anos os eventos de música deixaram de ter foco nas atrações e passaram a focar no público. O lineup ainda chama gente, mas a maioria das pessoas parece ir aos grandes festivais por ela — a tão sonhada experiência!
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2/17/20265 min read


Rock in Rio, Primavera Sound, Lollapalooza, C6 Fest, Monsters of Rock, Bangers Open Air… só pra listar alguns dos inúmeros festivais de música que são realizados (muitos deles anualmente) no Brasil.
E nem estou citando os tantos outros que não são de rock/indie/pop. Tem festival para todos os gêneros da música. E tem festival, como o próprio Rock in Rio, que incorporou outros gêneros no lineup conforme a demanda do público crescia. Público esse que, a cada edição, está mais ávido pelo festival, não pela música em si.
Já faz tempo que os eventos baseados em música deixaram de ser centrados, bem, na música. Hoje é bastante comum você ver pessoas que vão pela experiência.
A venda do Rock in Rio Card exemplifica bem isso. Você compra o ingresso antes de saber quem vai se apresentar. Depois, com todas as atrações divulgadas, escolhe o dia que mais combina com seu gosto musical.
Primavera Sound e Lollapalooza também vendem ingressos early bird — um lote com preços mais baixos disponibilizado antes de qualquer atração ser anunciada.
O hype dos grandes festivais fez com que o lineup deixasse de ser o único motivo para se ir a um evento de música e passasse a ser quase que uma escolha secundária. Ir ao festival é mais importante do que ver o artista que vai se apresentar lá.
Os grandes espetáculos de música perceberam isso faz tempo. É possível ir a um evento desses sem nem passar perto dos palcos. São dezenas de estandes de patrocinadores com experiências diferenciadas. Roda-gigante, tirolesa, montanha-russa… sem contar a praça de alimentação e um ou outro restaurante mais chique que oferece até atendimento vip.
As experiências que só o ‘ao vivo’ proporcionam
É bem verdade que estar em um grande evento traz mais do que a experiência em si; traz também o sentimento de exclusividade (seu e de outras 100 mil pessoas por dia…). Quando você vai no ‘ao vivo’, você pode mostrar pros outros que você estava lá. Mostrar o que fez, o que viu, como foi — em época de festival, os stories e os feeds ficam inundados de imagens e vídeos com hashtags #eufui, #festivaltal2026.
Tanto que as empresas que organizam esses festivais entenderam esse comportamento bem antes do próprio público e foram criando cada vez mais espaço e proporcionando novas experiências para as pessoas.
Os patrocinadores, por sua vez, renovam os contratos e buscam parceiros que consigam desenvolver uma experiência que supere a da edição passada. Tudo pela experiência!
E essa tal experiência transforma o que antes era um simples evento de música em uma marca consolidada e forte. Os próprios festivais possuem lojas oficiais (dentro e fora do local) vendendo camisetas, bonés, meias, bolsas, pôsteres, broches, adesivos, copos e o que mais a criatividade (e a moda do ano) mandar.
A experiência transformou o advérbio em sujeito e a atração, em objeto. Deve ser mais comum ouvir alguém falar “vou ao Rock in Rio ver o Elton John” do que falar “vou ver o Elton John no Rock in Rio”.
Ao vivo é mais caro — mas também é mais gostoso!
Isso todo mundo já percebeu: num mundo cada vez mais virtual, experiências ao vivo ganham mais atenção; elas valem mais. E o público aceita pagar por isso. Assim, o mercado de eventos cresce, o mercado de entretenimento se movimenta e, mais especificamente, alguns artistas (mesmo que em segundo plano, algumas vezes) ganham em uma apresentação mais do que conseguem em um mês inteiro de streaming.
Eu no Rock in Rio em 2022


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Bem longe do palco, sentada de boa na grama para o show do The Killers, no Lollapalooza 2018.
Aliás, se é no palco que os artistas conseguem criar conexões, transformar meros ouvintes em fãs e fãs em superfãs, fazer parte de um lineup de festival ainda deve ser a meta de muita banda por aí. Não só pela visibilidade na imprensa, em sites e nas redes sociais, mas é a chance de ser descoberto sem precisar de algoritmo pra sugerir o seu som pra alguém.
Aí, claro, cabe ao time de marketing dos artistas comunicar ao público presente como levar para a casa (e para a vida) o que você presenciou num set de uma ou duas horas.
Você pode passar na barraca do merch e comprar a camiseta, seguir a banda no Spotify, assinar a newsletter, entrar pro fã-clube ou ouvir por horas e horas a fio as últimas playlists lançadas. Se a equipe de marketing for boa, as opções não acabam tão cedo e o novo fã tem material para "consumir” por muitos meses (ou anos) até o próximo show. (E olha que em matéria de fã, eu sou especialista!)
E essa tal experiência vale a pena?
A bem da verdade, acredito que tenho uma opinião um pouco controversa sobre festivais: se for pra ver minhas bandas favoritas, prefiro que venham em tour solo. A última coisa que quero é me espremer no meio de cem mil pessoas por horas para ainda assim ficar longe do palco e ver o que for possível enxergar do alto dos meus 1,54 m (não que eu nunca tenha feito isso: já fui sim pra festival quando era "jovem" e depois, com mais de 30 anos, porque era a única chance de ir naqueles shows das bandas do coração e da vida).
Mas se for pra curtir o evento sem estresse, circular pelos vários palcos, sentar no chão com meu cachorro-quente, descobrir banda nova ou relembrar músicas que trazem aquela nostalgia da adolescência, aí pode me chamar. Mesmo que eu não tenha nenhum disco dos headliners. Porque eu também vou pela tal experiência. Porém, vou desde que seja com bandas e artistas dos estilos musicais de que eu gosto.


Show do Guns N' Roses no Rock in Rio 2022
Festivais previstos para 2026
Aqui fiz um breve levantamento de alguns festivais de rock (ou com algumas atrações de rock, indie e alternativo) previstos para este ano de 2026.
Lollapalooza - 20, 21 e 22 de março, em São Paulo.
Monsters of Rock - 4 de abril, em São Paulo.
Bangers Open Air - 25 e 26 de abril, em São Paulo.
C6 Fest - 21 a 24 de maio, em São Paulo.
Rock in Rio - 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, no Rio de Janeiro.
Primavera Sound - 5 e 6 de dezembro, em São Paulo
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