O filme do Michael Jackson tem um grande problema: ele acaba

Michael está longe de ser uma cinebiografia fiel, mas consegue nos conduzir de forma leve e nostálgica pelos primeiros anos da carreira do astro da música pop.

VI AQUELE FILME

5/1/20262 min read

filme do michael jackson
filme do michael jackson

Ao assistir ao filme Michael, prepare os lenços. As primeiras cenas já emocionam e o filme sobre Michael Jackson consegue prender a gente desde o início.

Difícil não chorar ao ver o pequeno Michael dar tudo de si já no primeiro minuto, quando aparecem os irmãos ensaiando. Impossível não sentir compaixão pelo menino à frente do Jackson 5 que conseguia manter o sorriso e o compasso mesmo sob a extrema violência que sofria do pai.

A relação de cobrança e castigos com o patriarca da família é retratada no filme inteiro, mas parece ser uma das poucas relações que ganharam destaque na obra. O filme dá pouquíssimo tempo de tela e profundidade pra pessoas que poderiam aparecer mais, como John Branca (advogado que foi empresário do Michael Jackson por mais de 20 anos) e Quincy Jones (produtor musical responsável por muitos discos e músicas do astro americano).

Aliás, uma informação relevante: metade das pessoas representadas no filme assinam a produção executiva, como os irmãos Jackson e o próprio John Branca. Talvez por isso seja um filme de homenagem e que não foca nas polêmicas que rodearam o cantor.

Canto e dança com passinhos e rodopios

O filme Michael tem, obviamente, bastante música. Mostra passagens enormes do artista criando coreografias, dançando e cantando. Traz ainda muitas cenas que replicam videoclipes quase inteiros.

E isso não tira nada da magia, mesmo que você tenha assistido, mais de uma vez, aos clipes (ou minifilmes). Na sala de cinema a que eu fui o som estava bem alto e acho que isso deixou a experiência ainda mais imersiva.

Cada novo show na tela, cada nova canção conseguem trazer mais emoção para o espectador. Uma pena que o filme mostre tão pouco do processo criativo do Michael Jackson. Até o documentário A Maior Noite do Pop, sobre a música We Are The World, tem mais informações sobre como ele criava letras e melodias. Infelizmente, toda a história dessa música foi suprimida do filme.

Não achei o filme tão raso quanto citaram algumas críticas que vi, mas, como eu mencionei no texto, é um filme de homenagem que se restringe a mostrar o lado bom, o lado inocente e muitas vezes infantil do Rei do Pop. E a gente se contenta com isso.

O ator Juliano Valdi, que interpreta o pequeno Michael, dá um show de atuação e carisma. Coleman Domingo assume o papel assustador de Joe Jackson, trazendo tensão toda vez que ele aparece na tela. Já Jafaar Jackson (sobrinho do cantor e filho de Jermaine), que interpreta Michael na maior parte do filme, consegue replicar os trejeitos, passos de dança e até a voz do mito.

Sim, mito. Porque goste ou não da música ou da pessoa que foi Michael Jackson, não podemos negar o tamanho desse homem na história da música e da cultura pop em todo o mundo. Michael foi, de fato, o maior astro da sua época. E para muita gente, continua sendo.

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