A Noite que Mudou o Pop: por que assistir a esse doc vai te fazer entender mais sobre o nascimento de um hit de sucesso

Documentário sobre We Are The World mostra processo de criação e gravação da música. Caos, tensão e ego se misturaram em uma única noite de 1985 para que mais de 40 artistas pudessem estar no mesmo lugar ao mesmo tempo — e resultar em uma canção considerada ícone da música pop mundial.

VI QUELE FILME

4/22/20263 min read

a noite que mudou o pop documentario
a noite que mudou o pop documentario

Ver como nasce uma canção é algo realmente curioso se você gosta de música. Recentemente assisti ao documentário A Noite que Mudou o Pop (The Greatest Night in Pop), da Netflix, que “abre a porta do estúdio” e mostra como nasceu We Are The World, uma das canções mais emblemáticas dos anos 80.

O filme mostra toda a logística por trás daquela noite que reuniu alguns dos maiores nomes da música mundial em um mesmo estúdio, em Hollywood. E começa do começo.

O mundo (da música) unido pela causa

A sugestão partiu de Harry Belafonte, ator e cantor já envolvido em causas sociais e que queria mobilizar artistas para arrecadar fundos para o combate à fome na Etiópia e em outras regiões da África. A partir daí, Lionel Richie e Michael Jackson foram convidados para compor a canção.

Uma das partes mais interessantes do documentário é acompanhar o relato do próprio Lionel Richie sobre o processo criativo ao lado de Michael Jackson. A construção da letra, da melodia, os ajustes nos versos, as dúvidas e a pressão de criar algo que fosse grande o suficiente para o que se propunha. E que precisava obrigatoriamente ser um sucesso! A ideia foi convidar outros músicos para participar.

O único detalhe: como reunir tantos artistas ao mesmo tempo?

A solução foi aproveitar a noite do American Music Awards de 1985. Muitos artistas já estariam em Los Angeles por causa da premiação, então aquela era a oportunidade perfeita (ou talvez a única possível) para reunir todo mundo no estúdio da A&M Records.

Entre as vozes convidadas estavam Bob Dylan, Bruce Springsteen, Cyndi Lauper, Willie Nelson, Diana Ross, Billy Joel, Stevie Wonder, Ray Charles e Tina Turner. Ao todo, 47 artistas participaram da gravação, incluindo, claro, Michael Jackson, Lionel Richie e Harry Belafonte.

É engraçado perceber como alguns desses nomes continuam conhecidos, alguns ainda na ativa, enquanto outros ficaram esquecidos naquela década. Confesso que precisei até pesquisar alguns nomes no Google — como Kim Carnes e Daryl Hall — para saber quem são e por que eram tão grandes nos anos 80.

Insegurança, problemas e autógrafos durante a gravação

Tudo aconteceu em menos de 30 dias (da apresentação da ideia à noite de gravação). A produção ficou com Quincy Jones, que já era um gigante da indústria musical e tinha trabalhado com vários dos artistas presentes. O documentário mostra bem como ele foi essencial para transformar em um hit “o caos” daqueles tantos músicos reunidos ao mesmo tempo.

Aliás, na entrada do estúdio, Quincy Jones colou uma folha com uma mensagem simples, mas direta: “Deixe seu ego na porta” (check your ego at the door). Um recado para os famosos que estavam presentes de que, ali dentro, a personalidade de “artista intocável” não era permitida.

E, ao deixarem (ou pelo menos tentarem deixar) o ego do lado de fora, muitos também deixaram à mostra um lado mais humano. Ao ver o documentário, a gente assiste à insegurança, aos problemas com álcool e até a artistas admirando outros a ponto de pedir autógrafos. E isso deixou tudo ainda melhor.

Uma boa música e uma boa causa mobilizam milhões

Quando foi lançada, a música arrecadou cerca de 40 milhões de dólares, que foram destinados ao propósito inicial. Mas mais do que isso, a música também inspirou projetos semelhantes em outros países. E virou um marco não só da história da música, mas de como a música pode ser associada ao ativismo e à política; de como a música pode mobilizar milhões de pessoas em prol de uma boa causa.

E não importa se você gosta só de rock. Se você gosta de música, você vai gostar de ver A Noite que Mudou o Pop. Acompanhar tudo o que aconteceu dentro do estúdio, os bastidores da gravação, até a chegada dos discos às lojas, faz We Are The World se tornar ainda mais especial. E nos faz entender o quão grande era (e continua sendo) essa música para a história.