Minha história como assessora de imprensa e "personal stylist" de Joe Jackson no Brasil
Quando o pai de Michael Jackson veio ao Brasil para participar do lançamento de um livro sobre a vida (e a morte) do filho, eu não só fui responsável pela assessoria de imprensa do projeto, como ainda ajudei o pai do mito a comprar camisas e gravatas para as entrevistas.
FUI NAQUELE SHOW
4/27/20264 min read


Que atire a primeira bolacha quem nunca ouviu músicas de Michael Jackson e do Jackson Five. Acredito que milhões (senão bilhões) de pessoas. Mas dizer que já trabalharam com o idealizador do grupo e ajudaram o próprio a escolher roupa num shopping, essa é uma façanha para poucos.
Em 2010 “caiu” no meu colo a possibilidade de fazer a assessoria de imprensa do lançamento de um livro no Brasil. Escrito por Leonard Rowe, um produtor musical que trabalhou com Michael Jackson (que dispensa apresentações), o livro “O que realmente aconteceu a Michael Jackson” defendia que Michael, na verdade, havia sido assassinado pelos produtores da última turnê dele.
Teoria da conspiração? Viagem total? Não deu nem tempo de considerar as hipóteses.
— Alguém da empresa fala inglês?
— Sim, a Rachel.
— Ótimo. Vamos fazer uma call agora com o Leonard Rowe, autor do livro. E Joe Jackson, pai do Michael.
Em poucos minutos eu estava conversando com o pai do mito no Skype.
Dessa conversa, que serviu para fechar o contrato, até a chegada de Joe e Leonard ao Brasil, foram pouco menos de dois meses. Menos de 50 dias para traçar o planejamento de divulgação, mapear imprensa, organizar coletiva (quem trabalha com assessoria sabe como é corrido o que acontece antes de um evento).
Nesse meio tempo, os americanos precisavam tirar o visto e a versão brasileira do livro ainda precisava ser traduzida, impressa e distribuída.
A operação de guerra
Montei o time de assessoras e, juntas, criamos uma “operação de guerra”. Logo percebemos que seria mais difícil do que imaginávamos: o que acreditávamos ser o principal chamariz para a imprensa — a vinda de Joe Jackson ao Brasil para lançar um livro sobre Michael — era também motivo de extrema desconfiança dos colegas jornalistas. “Será que esse cara vem mesmo?”
A primeira estratégia foi agendar entrevistas sobre o livro lá mesmo nos Estados Unidos, antes de eles virem ao Brasil. Conseguimos que o Jornal da Globo conversasse com Leonard Rowe sobre a obra e também entrevistasse Joe Jackson, que validou as teorias do autor.
A reportagem foi ao ar cerca de um mês antes da chegada deles ao país, o que ajudou a confirmar para os jornalistas brasileiros que, de fato, haveria o lançamento aqui e que Joe Jackson estaria presente.
Cliques e flashes no aeroporto
Ainda assim, garantir a presença dos profissionais da imprensa na coletiva de lançamento não foi fácil. Dois dias antes do evento ainda não tínhamos confirmações suficientes para encher a sala reservada num hotel da capital paulista. E as ligações para os jornalistas não estavam dando o retorno esperado. “Ele já falou outras vezes que estaria no Brasil e na hora nunca vinha”.
Adotamos, então, outra estratégia: fazer a cobertura fotográfica do desembarque no aeroporto. Chamamos um fotógrafo e, no estilo maior paparazzo, recebemos Joe Jackson no portão, com cliques e flashes.
As fotos foram enviadas em seguida para todos os sites e portais de notícias e fofocas do país. Em menos de duas horas do desembarque, as imagens da chegada de Joe Jackson no Brasil já estavam espalhadas pela internet. Ele veio!
Graças a essa jogada, conseguimos levar mais de 80 jornalistas à coletiva de imprensa na manhã seguinte. De programas de variedades a noticiários, veículos impressos, rádios e revistas, todos queriam entrevistar Joe Jackson e entender a teoria do que realmente teria acontecido com Michael.
De assessora de imprensa à personal shopper
No dia anterior à coletiva, recebemos dois veículos de comunicação para entrevistas exclusivas. Curiosamente, a mala de Joe Jackson foi extraviada na viagem e não chegou.
Ele precisava estar no hotel para as entrevistas às 16h e, então, do aeroporto, segui com ele e sua assistente pessoal para um shopping, onde ajudei o pai do Michael Jackson a comprar camisas e gravatas para as entrevistas da tarde e para a coletiva de imprensa do dia seguinte (uma prova de que ser assessora de imprensa vai muito além de apenas assessorar a imprensa).
O passeio no shopping também serviu para “tirar a temperatura do público”.
Até então estávamos sem saber ao certo se Joe Jackson seria bem visto pelos fãs de Michael devido a toda a história de criação dos filhos com violência. Mas todos que o reconheceram pediam autógrafos e fotos. Um fã chorou ao me contar que nunca havia imaginado chegar tão perto assim de alguém que conheceu e conviveu com Michael.
Uma história pra contar e recontar
A passagem de Joe Jackson e Leonard Rowe pelo Brasil ainda rendeu book tours em várias capitais do país, entrevistas nacionais e muita repercussão positiva na imprensa. O livro ganhou visibilidade, a imprensa comprou a pauta e o trabalho funcionou.
No fim da viagem, Leonard Rowe me disse que, em mais de 30 anos como produtor no mercado da música, aquela tinha sido a melhor equipe de assessoria de imprensa com quem ele já havia trabalhado.
Foi um belo fechamento para a nossa entrega do job. Mas, o que ficou mais marcado pra “Rachel, fã de música” foi a minha atuação como personal stylist do Joe Jackson.
Até porque resultado de trabalho a gente coloca no portfólio (e, modéstia à parte, eu sou muito boa no que faço!). Agora, ajudar o pai do Michael Jackson a escolher roupa num shopping… isso sim vai ficar pra história — bom, pelo menos, pra minha.
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