O show do Travis em São Paulo: quando eles voltaram, finalmente estávamos prontos

Em 2024 a banda escocesa voltou ao Brasil para uma apresentação única na Audio. Eu achava que já tinha perdido a chance de ver o grupo ao vivo, mas que bom que eles nos deram essa segunda chance!

SHOWSFUI NAQUELE SHOW

2/18/20264 min read

Eu demorei pra descobrir o Travis. A banda escocesa que surgiu na metade dos anos 90 só chegou aos meus ouvidos perto de 2010. Quando conheci, já tinham lançado seis discos. Mas isso não me impediu de gostar desde a primeira “ouvida". A melting snowman, I was told...

Conheci o grupo ao assistir ao dvd More Than Us, que eles lançaram de um show ao vivo na cidade natal, Glasgow (que tem na íntegra no Youtube!). Aos primeiros acordes de Sing, eu estava fisgada. Com letras (e melodias) leves e aquela pegada alternativa de banda independente, a cada nova música eu era mais puxada por eles.

O anúncio do show e uma surpresa

O Travis era uma dessas bandas que eu já tinha desistido de ver ao vivo. Dificilmente viriam novamente ao Brasil depois da apresentação de 2013 no Planeta Terra, quando antecederam Lana Del Rey e Blur — e só por isso já dá pra imaginar por que o público não estava tão animado no show dos escoceses, afinal, a maioria das pessoas estava lá para ver os headliners.

Aparentemente, o jornalista Lúcio Ribeiro também era um desses que queriam ver um show do Travis no Brasil, então em 2024 ele fez o que um bom produtor com contatos (e com o público de São Paulo disponível) faria: trouxe a banda para uma apresentação pelo Popload Gig.

Num minuto eu estava mandando mensagem com o print do anúncio do show e a frase “eu amo essa banda". No minuto seguinte, os ingressos chegaram no meu celular acompanhados de “e nós vamos!”.

(Pausa para um parêntese sobre como é importante ter um parceiro que é parceiro no puro significado da palavra <3)

Conversas, músicas extras e alma lavada

Eu ainda não tinha ido à Audio e me surpreendi com a infraestrutura do lugar. Com capacidade para pouco mais de três mil pessoas, o espaço comportou muito bem o público presente para a apresentação da banda — e a única dessa vinda ao Brasil.

Ouso dizer que uma apresentação dessas, numa terça-feira, só é possível numa cidade como São Paulo mesmo.

O show durou cerca de duas horas. Bus, música do álbum LA Times (lançado meses antes), abriu a noite. E que noite, senhoras e senhores!

Banda animada e plateia idem. Com as letras na ponta da língua, as pessoas que foram ao show do Travis estavam lá por e para eles. Finalmente os escoceses lavaram a alma e puderam presenciar a conhecida energia e a merecida emoção do público brasileiro.

O vocalista Fran Healy estava animado. Conversou o tempo todo com a plateia parando entre uma música e outra para contar uma curiosidade.

Ele relembrou o fracasso da primeira apresentação no país, em 2013. Comentou o anúncio, naquele mesmo dia, dos shows do Oasis no Brasil (e tocou um trecho de Wonderwall confessando que o single Writing to Reach You é uma cópia inspirada no hit dos ingleses).

Fran também falou sobre algumas das músicas do último disco, fez piada antes de tocar o cover de Baby One More Time, da Britney Spears, e, já no finalzinho do show, ainda disse que a noite estava tão boa que tocariam mais músicas do que o planejado — e My Eyes e Selfish Jean entraram no setlist.

O setlist, aliás, foi muito bem montado. As músicas mais recentes (Alive, Gaslight, Raze the Bar, Naked in New York City) se diluíam no meio dos hits dos anos 90 e do começo dos anos 2000. Sing, Closer, Turn, Driftwood, Side… todas estavam lá. Foram 21 músicas no total.

Eu acho que já falei sobre isso em alguma outra resenha, mas a vantagem de ver um show de uma banda com história é que os shows são — normalmente — mais longos e trazem músicas de diversas épocas, diferentes álbuns e dificilmente um grande sucesso fica de fora da lista.

Digo normalmente porque algumas apresentações poderiam ter pelo menos duas horas se considerarmos o tempo que algumas bandas estão na labuta. O show do Weezer no Parque Ibirapuera é um exemplo: como que um grupo na estrada há 30 anos me faz um show com pouco mais de uma hora de duração?

Mas voltemos aos escoceses. Flowers in the Window abriu o encore em uma versão acústica, só violão e pandeiro meia-lua e com toda a banda cantando junto no meio do palco (o link é para o vídeo maravilhoso que postei no Youtube). O show encerrou lindamente com Why Does It Always Rain On Me cantado em coro pela plateia e com a promessa da banda de voltar logo para repetir o sucesso que foi esse 5 de novembro de 2024 em São Paulo.

Se depender de quem estava lá naquela noite, músicas como as do Travis sempre farão com que o mundo permaneça florido quando eles (e nós) formos embora desse plano.


Setlist do Travis em São Paulo, 5 de novembro de 2024


Bus
Driftwood
Love Will Come Through
Alive
I Love You Anyways
Good Feeling
Good Day to Die
Writing to Reach You (com um trecho de Wonderwall do Oasis)
Side
Closer
Sing
Re-Offender
Raze the Bar
Gaslight
Naked in New York City
Turn

Flowers in the Window
Baby One More Time (cover da Britney Spears)
My Eyes
Selfish Jean
Why Does It Always Rain on Me?


Fontes: eu e o site Setlist.fm